Capa com fundo creme e a pergunta "O que é prolapso genital e por que sinto peso na vagina?" em letras vinho, com uma rede de dormir lavanda logo abaixo, como se sustentasse a frase.

O que é prolapso genital e por que sinto peso na vagina?

Prolapso genital é quando a bexiga, o útero ou a parte final do intestino descem em direção à vagina, porque os músculos e ligamentos que os seguram perderam firmeza. É daí que vem aquela sensação de peso, de “bola”, de que tem alguma coisa querendo sair. É comum, tem graus diferentes e tem tratamento. A fisioterapia pélvica é um dos tratamentos com evidência para aliviar os sintomas.

Quais são os sintomas do prolapso genital?

Os sintomas mais comuns do prolapso genital são sensação de peso ou bola na vagina, dificuldade para esvaziar a bexiga ou o intestino, escape de urina e desconforto na relação sexual. O peso costuma crescer ao longo do dia e aliviar quando você deita. A bola, muitas vezes, é percebida na hora do banho. Já o escape pode ser a incontinência urinária de esforço, que com frequência vem junto.

Por que o prolapso genital acontece?

O prolapso genital costuma ser o resultado de uma soma: gestações e partos, excesso de peso, força repetida no banheiro, anos carregando peso, tosse que não passa e as mudanças da menopausa, que deixam os tecidos da região menos firmes. Raramente há um culpado só.

Pense numa rede de dormir. O tecido da rede são os músculos do assoalho pélvico. As cordas que prendem a rede nos ganchos da parede são os ligamentos. Quem está deitado nela são a bexiga, o útero e o intestino. Cada um daqueles fatores é um peso a mais sobre essa rede, repetido ao longo dos anos. Com o tempo, o tecido perde tensão ou as cordas cedem, a rede afunda, e quem está em cima desce junto. Isso é o prolapso.

Prolapso é coisa de quem teve parto normal ou de mulher mais velha?

Não. Aqui eu preciso desmontar duas crenças de uma vez.

“Foi o parto.” Ter filhos aumenta o risco, sim, mas é só uma parte da soma, não a conta inteira. E saber de onde veio o prolapso importa menos do que saber o que dá para fazer a partir de agora.

“É a idade, não tem o que fazer.” O prolapso é mais comum com a idade, sim. Inevitável, não. O músculo responde ao treino em qualquer fase da vida, e é justamente por isso que vale treinar. Idade é motivo para cuidar, não para se conformar.

Como saber o grau do prolapso?

O grau do prolapso é definido no exame físico e diz o quanto a rede afundou. Vai de uma descida pequena, ainda dentro da vagina, até o órgão sair completamente. Quem dá o diagnóstico é o médico, geralmente o ginecologista. A fisioterapeuta pélvica avalia como os músculos dessa região estão trabalhando.

E tem um detalhe que pouca gente sabe: o grau não mede o incômodo, pois cada pessoa tem um nível de sensibilidade. Eu atendo mulheres com prolapso leve que sentem muito, e mulheres com grau avançado que quase não percebem. O exame mostra onde o órgão está. Como isso afeta a sua vida, quem conta é você.

Como a fisioterapia pélvica ajuda no prolapso?

A fisioterapia pélvica trabalha o tecido da rede. Ela fortalece os músculos do assoalho pélvico e ensina esses músculos a firmar na hora certa.

A evidência mais forte vem do POPPY, um estudo publicado em 2014 no The Lancet, uma das revistas médicas mais respeitadas do mundo. Ele acompanhou 447 mulheres com prolapso. Metade fez treino individualizado com fisioterapeuta. A outra metade recebeu só um folheto de orientações. Um ano depois, quem treinou tinha menos sintomas e dizia com mais frequência que o prolapso estava melhor.

O detalhe que faz diferença: o treino não era só contrair. Era aprender a contrair antes do esforço. É firmar a rede antes de alguém se jogar nela, e não depois. Isso é coordenação, e coordenação se aprende melhor com alguém olhando.

O que piora o prolapso no dia a dia?

Piora o que empurra a pressão da barriga para baixo: prender a respiração e fazer força no banheiro, levantar peso sem preparo, tosse que não passa, impacto repetido antes de o assoalho pélvico estar pronto. Cada uma dessas situações é alguém se jogando na rede.

Isso não quer dizer parar de viver. Quer dizer aprender a receber esse peso. Se você treina, eu já escrevi sobre perder urina no CrossFit, e a lógica é a mesma: o problema raramente é o exercício, e sim como o corpo recebe a carga.

Prolapso genital tem cura?

Eu prefiro dizer isso com honestidade: depende do que você chama de cura.

O exercício fortalece o tecido da rede, mas não troca uma corda que cedeu. Então eu não posso te prometer que o órgão volta exatamente para onde estava. O que dá para buscar é que o prolapso pare de mandar no seu dia.

O tratamento tem três caminhos, escolhidos junto com o médico. A fisioterapia pélvica devolve firmeza ao tecido. O pessário, um dispositivo colocado na vagina e ajustado pelo médico, funciona como um apoio por baixo da rede. A cirurgia prende as cordas de novo.

Eu nunca vou te dizer que cirurgia é fracasso. Para algumas mulheres, é a melhor escolha. O que me incomoda é quem chega achando que essa é a única opção.

Homens e crianças também podem ter prolapso?

O prolapso genital acontece só em quem tem vagina. Mas homens e crianças também têm assoalho pélvico, a mesma rede, e podem ter prolapso retal: quando a parte final do intestino desce e sai pelo ânus.

A fisioterapia pélvica atende mulheres, homens e crianças, de todas as idades.

Quando vale procurar uma fisioterapeuta pélvica?

Vale procurar uma fisioterapeuta pélvica quando você:

  • sente peso, pressão ou bola na vagina
  • vê ou sente algo diferente na entrada da vagina
  • tem incontinência urinária, com escape ao tossir, rir ou fazer esforço
  • vive com intestino preso ou sente que não esvazia por completo
  • sente dor ou desconforto na relação sexual
  • recebeu o diagnóstico de prolapso e quer conhecer as opções antes de decidir

Perguntas frequentes

Se quiser entender o que está acontecendo no seu corpo e fazer essa avaliação comigo, eu atendo em Salto/SP. É só me chamar no WhatsApp 🌿

Referências

Hagen S, Stark D, Glazener C, Dickson S, Barry S, Elders A, et al. Individualised pelvic floor muscle training in women with pelvic organ prolapse (POPPY): a multicentre randomised controlled trial. Lancet. 2014;383(9919):796-806. DOI: 10.1016/S0140-6736(13)61977-7

Hendrix SL, Clark A, Nygaard I, Aragaki A, Barnabei V, McTiernan A. Pelvic organ prolapse in the Women’s Health Initiative: gravity and gravidity. Am J Obstet Gynecol. 2002;186(6):1160-6. DOI: 10.1067/mob.2002.123819


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